Quando iniciei minha prática clínica, há cerca de 15 anos atrás, pouco se falava sobre vitamina D. Até porque foi a partir 2002 que realmente começaram a intensificar as pesquisas sobre essa tão importante vitamina e seus efeitos diretamente relacionados à saúde e performance.

Hoje, o homem em sua grande maioria, passa o dia todo trabalhando em algum ambiente fechado, sem exposição ao sol. E aqueles que fazem exercício físico, normalmente o fazem em uma academia de ginástica e não ao ar livre. Em paralelo, uma alimentação na maioria das vezes totalmente incompleta. Com isso, a incidência de pessoas com baixos níveis de vitamina D vem crescendo assustadoramente. A deficiência dessa vitamina pode trazer vários malefícios, entre eles: perda de saúde óssea, queda da imunidade, baixos níveis de testosterona, menor resposta anti-inflamatória, maior risco para saúde cardiovascular e até mesmo maior incidência em alguns tipos de cânceres. Para vocês terem ideia da sua importância, a vitamina D participa como moduladora em mais de 2000 genes envolvidos no crescimento celular, função imune e síntese proteica.

Atletas e esportistas que treinam em ambientes fechados, como jogadores de vôlei, futsal, basquete, praticantes de musculação, cross fit, etc, necessitam de um cuidado ainda maior, sendo na grande maioria das vezes, necessário suplementar com vitamina D3. A posologia vai depender dos níveis laboratoriais de vitamina D de cada atleta. Lembrando que essa vitamina em grandes quantidades é tóxica, principalmente para a saúde renal. Portanto, antes de iniciar qualquer suplementação, é importante dosar seus níveis por meio de exame de sangue. Mesmo aqueles atletas/esportistas que treinam ao ar livre, necessitam de cuidado, especialmente no inverno, quando a exposição ao sol diminui em muitas regiões. A radiação ultravioleta (UVB) converte o precursor presente na pele (7-dehydrocolesterol) em D3 (colecalciferol). Já como alguns alimentos fonte, podemos citar: gema de ovos, leite, fígado, queijos, cogumelos, alguns peixes e frutos do mar.

Para a população em geral, recomenda-se níveis plasmáticos de vitamina D (25 OH-Vitamina D), acima de 30 ng/ml. Já atletas/esportistas, considera-se um valor ideal entre 50 e 100 ng/ml. Valores acima de 150 ng/ml são considerados tóxicos. É possível suplementar vitamina D3 com gotas, comprimido e injetável. O profissional irá determinar a quantidade, frequência e via da administração de acordo com os níveis prévios de vitamina D de cada indivíduo.

Portanto, a deficiência de vitamina D é algo simples de ser resolvido com uma exposição adequada e regular ao sol, ingestão de alimentos fonte e em alguns casos, suplementação. No entanto, manter níveis baixos dessa vitamina, que apresenta funções reguladoras como de um hormônio em nosso corpo, pode refletir não apenas em queda na performance, mas também pode interferir em sua qualidade de vida. Fiquem atentos e dosem com regularidade seus níveis de vitamina D!


Rodolfo Peres é nutricionista especialista em nutrição esportiva. Atende desde atletas de alto nível a pessoas que simplesmente buscam uma melhor qualidade de vida.
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