O desejo por resultados rápidos faz com que muitas pessoas recorram a dietas restritivas para entrar em forma. Tentar emagrecer vários quilos em um curto de espaço de tempo, apenas passando fome, é uma das piores coisas que se pode fazer contra a própria saúde. Uma alimentação deficiente em nutrientes, que respeita apenas a quantidade de calorias ingerida, tem tudo para dar errado. O cenário fica ainda mais nebuloso quando a tal dieta milagrosa é associada ao uso de medicamentos anorexígenos, sem orientação médica adequada.
Na verdade, não há segredo para emagrecer. Mas é importante que as pessoas entendam – de uma vez por todas – que o nosso organismo é um sistema muito complexo. A simples matemática de ingerir menos calorias do que se gasta, pode sim proporcionar perda de massa corporal, mas apenas isso. O número que aparece na balança nem sempre reflete a realidade. Um emagrecimento saudável pressupõe a perda de gordura e a manutenção da massa magra do indivíduo, evitando, entre outras coisas, deficiências de vitaminas e sais minerais.

Seja pela cobrança social do físico perfeito ou pelo temor dos problemas de saúde advindos da obesidade, vejo pessoas tomando medidas extremas (e erradas). Em mais de dez anos de prática clínica já me deparei com várias situações limite. Pacientes que fazem jejum absoluto por alguns dias, outros que passam semanas comendo apenas frutas e verduras, entre tantas outras estratégias igualmente absurdas, ineficazes e nocivas à saúde.
Em um passado não muito distante, a justificativa era a falta de informação. Não havia Internet, os índices de obesidade na população eram mais baixos, e os meios de comunicação de massa (rádios, TVs, jornais) disseminavam a ideia de que para emagrecer bastava cortar calorias. Atualmente, com tanta informação, a dificuldade é discernir o que é certo no meio de tantas “verdades”. Na Internet, cresce o número de sites com propostas milagrosas para emagrecimento; de livros e revistas com dietas que prometem a perda de 10 kg em uma semana, sem falar nos comerciais de produtos que fazem a gordura “desaparecer” da noite para o dia. Com tanta desinformação por aí, fica difícil saber qual caminho percorrer.
Uma boa forma física é conquistada apenas com exercício e correta nutrição. Isso mesmo! Simples assim. A verdade é que não há segredo para emagrecer. Agora, o pulo do gato para um emagrecimento saudável e eficaz envolve uma série de questionamentos: qual o tipo de exercício, frequência, duração e intensidade? Como distribuir os nutrientes ao longo do dia? O que comer antes e depois do exercício? Que suplemento tomar? Como as respostas não são universais, a melhor pedida é buscar orientação profissional; adequar a dieta e os exercícios às suas necessidades.

Acredito que muitas dietas para perda de peso levam em conta substituições pouco eficientes, que satisfazem os hábitos culturais, mas não consideram as necessidades nutricionais. Alguns exemplos de erros nutricionais recorrentes:
– Pão francês com manteiga deve ser substituído, na primeira refeição do dia, por pão francês sem miolo com margarina light. (Na verdade, deveria se substituir toda a refeição, não simplesmente reduzir a quantidade dos alimentos com baixo valor nutricional).
– Frutas, barras de cereais com chocolate ou bolachas integrais são boas opções para os lanches intermediários. (Essas opções possuem apenas carboidratos. A refeição ficaria pobre em proteínas).
– Almoço e jantar devem ser as principais refeições do dia. (Todas as refeições são igualmente importantes)!
Se essas afirmações não lhe pareceram estranhas, vou explicar porque as considero “erros nutricionais”.
Muitas pessoas acreditam que a chamada ‘reeducação alimentar’ pressupõe comer um pouco de tudo, sem eliminar nenhum alimento da dieta. Ainda segundo essa crença, para emagrecer seria importante manter o que as pessoas gostam de comer. Mas a qualidade do que se come é tão (ou mais) importante do que a quantidade.
A distribuição de nutrientes deve ser ajustada de acordo com o seu gasto energético. A refeição que antecede uma atividade física, por exemplo, deve ter uma quantidade um pouco maior de carboidratos (arroz integral, macarrão integral, aveia, amaranto, quinua, frutas, pão integral) do que as demais refeições. Já a ingestão de proteínas, deve ser equilibrada em todas as refeições do dia.
O rápido desenvolvimento da indústria de suplementação alimentar nos proporcionou algumas facilidades. Os chamados pós proteicos (whey protein, caseína, albumina, proteína isolada de soja, mix proteicos, barras proteicas, dentre outros) podem nos ajudar a compor uma dieta mais adequada, sem agredir tanto nossos hábitos culturais.

Você começa o dia tomando leite com achocolatado e comendo pão francês com manteiga? Por que não substituir por whey protein (do sabor da sua preferência) e pão integral com queijo cottage e uma fruta? Nos lanches intermediários você gosta de comer uma fruta? Já pensou em complementar a fruta com um “shake” proteico de caseína ou comer uma barra proteica para variar? Vamos retirar as guarnições (strogonoff, lasanha, frituras) mais calóricas do almoço e jantar? Usaremos arroz integral, macarrão integral, feijão, lentilha, carnes grelhadas e uma grande variedade de legumes e verduras. Suco de frutas acompanhando a refeição? Substitua por uma fruta de sobremesa e você garantirá uma maior absorção de nutrientes e fibras. Podem não ser sugestões adequadas para um bodybuilder de alto nível, mas para a maioria das pessoas, já faria uma grande diferença.
Sem dúvida, o nutriente mais negligenciado em nossa cultura, é a proteína. Cada vez consumimos mais carboidratos e menos proteínas. Em um programa de redução de gordura corporal, a proteína exerce inúmeras funções importantes, dentre elas o auxílio na manutenção da massa magra. Porém, em nossa cultura, temos poucos alimentos fonte de proteínas de altíssimo valor biológico. São eles: carne bovina, peixe, peito de frango e ovos. Para piorar, esses poucos alimentos normalmente são ingeridos apenas nas duas “principais” refeições do dia: almoço e jantar. Ou seja, as demais refeições ficam com seus teores proteicos prejudicados. Costumo dizer que se tivéssemos o hábito de “almoçar” a cada 2 – 3 horas ou até mesmo usar insetos em nossa dieta, como fazem os habitantes de 120 países do mundo, seria muito mais fácil adequar o consumo de proteína em nosso dia a dia. Por essa razão, quando eu apresento uma proposta de mudança alimentar para o paciente, não costumo utilizar os termos: desjejum, colação, almoço, lanche da tarde, jantar e ceia. Prefiro nomear sempre “refeições”, pois todas são igualmente importantes quando consideramos nossas necessidades nutricionais.

Certa vez, uma grande celebridade esportiva de nosso país, que hoje tem mais de 60 anos de idade, me disse o seguinte: “Rodolfo, em mais de 40 anos de cuidados com a alimentação, passando pelos melhores médicos e nutricionistas do mundo, aprendi uma coisa: a melhor nutrição, além de evitar qualquer tipo de conservantes, pesticidas e demais alimentos contaminados, é almoçar a cada três horas. Eu começo o meu dia comendo arroz integral, peixe, legumes e verduras. E repito essa rotina a cada 2 – 3 horas, variando os alimentos, mas preservando as características”. Não preciso nem dizer o quão bem esse homem está bem de saúde, física e mentalmente. Proposta alimentar similar é normalmente adotada por atletas de bodybuilding, que eu considero a Fórmula 1 da nutrição esportiva. Qualquer erro na dieta, principalmente nos dias que antecedem a competição, refletirá imediatamente no físico do atleta.
Não por acaso, a minha proposta para quem está sofrendo com sobrepeso/obesidade, é a utilização de algumas estratégias dirigidas aos praticantes de musculação em nível avançado. Para muitas pessoas pode soar estranho, mas eu garanto que os resultados são excelentes. Pena que para a maioria das pessoas ainda é coisa de louco ver o colega da mesa ao lado abrindo uma “marmita” com batata doce e frango, no meio da manhã. Para esse pessoal, o natural seria comer bolachas, bolos, barrinhas de cereais e/ou salgadinhos. Sinto muito, mas eu chamaria de louco quem não respeita o próprio corpo e ingere alimentos de péssimo valor nutricional o tempo todo. Reserve um ou outro momento da semana para desfrutar dos prazeres da mesa, em uma boa companhia, por um bom motivo. Não faça da má alimentação um hábito.
Outro fator que temos sempre que respeitar é a individualidade metabólica de cada indivíduo. Pessoas diferentes podem atingir os mesmos resultados, mas percorrendo caminhos diferentes. Tenho pacientes que possuem a mesma rotina de exercícios e necessidades alimentares completamente distintas. Esse acompanhamento é fundamental para a obtenção de um resultado satisfatório.
A quantidade de pessoas acima do peso cresce ano após ano. Reflexo de uma rotina cada vez mais sedentária combinada com escolhas erradas na alimentação. Se o adulto obeso de hoje, foi uma criança ativa, o momento atual é preocupante. Hoje, nossas crianças fazem cada vez menos atividade física, passam o dia em frente ao computador e são alvos fáceis da indústria que lucra com a venda de bolachas, biscoitos, doces, refrigerantes e outras bobagens. Tem filhos? A hora de adequar a alimentação dos pequenos é agora. Quanto mais cedo, melhor. Você não faz exercício físico? Então comece a fazer. Atividade física não é escolha. É obrigação! Basta pensar no processo evolutivo humano para entender que o nosso corpo precisa de movimento. Passar o dia sentado em um escritório ou em frente à televisão não vai contribuir em nada para a sua saúde. Mexa-se! Cuide de sua alimentação. Prolongue sua juventude. Procure um educador físico e um nutricionista.
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Rodolfo Peres é nutricionista especialista em nutrição esportiva. Atende desde atletas de alto nível a pessoas que simplesmente buscam uma melhor qualidade de vida.